Estudo diz que 40% dos casos de cancro podiam ser evitados

2010-02-06

Quarenta por cento dos 12 milhões de pessoas diagnosticadas com cancro em todo o mundo anualmente podiam evitar a doença protegendo-se contra infecções e mudando o estilo de vida, afirmaram especialistas esta terça-feira, avança a agência Reuters, citada pelo O Globo.

Um relatório da União Internacional contra o Cancro (UICC), que tem sede em Genebra, na Suíça, ressaltou que nove infecções podem levar ao cancro e pediram que as autoridades de saúde salientem nos seus países a importância das vacinas e da mudança no estilo de vida para combater a doença.

"Se houvesse um anúncio de que alguém descobriu a cura para 40% dos cancros do mundo, haveria uma comemoração enorme com razão", disse à Reuters o presidente da UICC numa entrevista por telefone.

"Mas o facto é que temos, agora, o conhecimento para evitar 40% dos cancros. A tragédia é que não o estamos a usar."
O cancro do colo do útero e o cancro do fígado, ambos causados por infecções que podem ser evitadas com vacinas, devem ser a prioridade, indicou o relatório, não apenas nas nações ricas, mas também nos países em desenvolvimento, onde ocorrem 80% dos casos de cancro do colo do útero.

O cancro é uma causa importante de morte em todo o mundo e o número total de casos globalmente está a aumentar, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O número de mortes por cancro no mundo está projectado para aumentar 45% de 2007 a 2030, passando de 7,9 milhões para 11,5 milhões de mortes, causadas, em parte, por uma população cada vez maior e mais idosa.

A UICC afirmou que quer concentrar a atenção dos responsáveis pelas políticas de saúde nas vacinas de prevenção ao cancro - como as fabricadas pela GlaxoSmithKline e pela Merck Sharp & Dohme contra o vírus do papiloma humano (HPV), que causa o cancro do colo do útero, e outras contra a hepatite B, que causa doença hepática e cancro.

"As autoridades de todo o mundo têm a oportunidade e a obrigação de usar estas vacinas para salvar a vida das pessoas e educar as suas comunidades para escolhas de estilos de vida e medidas de controlo, que reduzam o risco delas de cancro", afirmou o diretor executivo do UICC, Cary Adams.

Outras infecções causadoras de cancro incluem as dos vírus da hepatite C, do HIV e do Epstein Barr, um vírus do tipo do herpes transmitido pela saliva.

Os especialistas afirmam que o risco de desenvolver cancro poderia ser reduzido em até 40% se fossem empregadas medidas de prevenção e de imunização total, combinadas com mudanças simples no estilo de vida, como parar de fumar, comer saudavelmente, limitar a ingestão de álcool e reduzir a exposição ao sol.

POP, 3 Fevereiro 2010

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