Um quinto dos tumores está associado a infecções virais ou bacterianas
2010-02-06
Um quinto dos tumores está associado a infecções virais e bacterianas e a chave para reduzir a sua incidência está na vacinação e mudanças no estilo de vida, alertam as autoridades internacionais, noticia a agência Lusa.
Para assinalar o Dia Mundial Contra o Cancro, que se assinala a 4 de Fevereiro, a União Internacional Contra o Cancro (UICC) – uma organização não governamental exclusivamente dedicada ao controlo do cancro – lançou uma campanha suportada por um novo relatório científico: “Protecção contra infecções que causam cancro”.
"Dos 12 milhões de cancros que são diagnosticados todos os anos, cerca de 20% podem ser atribuídos a infecções virais e bacterianas, que directamente causam ou aumentam o risco de cancro", segundo o presidente da UICC, David Hill.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) afirmou que “há uma concretização de um conceito já antigo de que várias neoplasias poderiam estar ligadas a infecções virais e eventualmente bacterianas, como é o caso do cancro do estômago”.
“Progressivamente estão a desenvolver-se vacinas para prevenir estes tipos de cancro”, sublinhou Carlos Oliveira, dando como exemplo a vacina contra o cancro do colo do útero, que é determinado pelo Papiloma Vírus Humano (HPV).
Observou ainda que, se as mulheres se vacinarem contra o cancro do colo do útero – e estão a fazê-lo, com uma taxa de participação superior a 90% – dentro de 10 a 15 anos irá “baixar drasticamente a incidência do cancro do colo do útero”.
“Todas as mulheres estão em risco de se infectar pelo HPV e, como tal, devem vacinar-se até aos 45 anos”, aconselhou Carlos Oliveira.
Segundo o médico, o cancro do fígado também é determinado pelo vírus da Hepatite B, para o qual também há uma vacina há vários anos.
“O cancro gástrico também pode ser causado por uma bactéria e há ainda o vírus Epstein-Barr que está a ser pesquisado e que nós sabemos estar presentes em vários tipos de tumor”, explicou.
Carlos Oliveira salientou a possibilidade de, no futuro, se encontrar “uma maior ligação entre este vírus e determinados tipos de cancro e que possa surgir uma vacina”.
Há também casos de leucemia que são provocados por vírus, disse, lembrando ainda que “40% dos cancros são provocados por má nutrição” e, nesse sentido, as pessoas devem fazer uma dieta rica em cereais, fruta, legumes.
A LPCC assinala o Dia Mundial Contra o Cancro com várias iniciativas por todo o país, com acções de divulgação focadas na área da prevenção.
“É extremamente importante chamar a atenção para a prevenção do cancro do colo do útero, nas suas duas vertentes: rastreio e vacina, que é a única maneira de reduzir drasticamente a incidência deste tumor”, disse Carlos Oliveira.
A nível de rastreio do cancro da mama, há já uma cobertura razoavelmente satisfatória em Portugal.
Na zona Centro decorre um projecto-piloto para o cancro colo-rectal através da pesquisa de sangue oculto nas fezes, avançou, lembrando que estas são as três grandes áreas onde a prevenção pode ser feita.
É preciso chamar a atenção para outros factores, como o tabaco e o cancro do pulmão, a exposição a radiações solares, nomeadamente nos solários, e o cancro de pele.
POP, 4 Fevereiro 2010.










